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Coração Desafiado (Christmas Cowboy) — Desejo 64
Personagens: Dorothy “Dorie” Wayne & Corrigan Hart
1º livro da série Irmãos Hart
Parte da série Homens do Texas
Aos 18 anos, a bela Dorie Wayne teve um breve namoro com o intempestivo Corrigan Hart, um dos cinco indomados irmãos Hart. Corrigan não era do tipo que se casa, mas seu desejo por Dorie se tornava cada vez mais incontrolável. Inocente, porém apaixonada pelo sexy cowboy, Dorie decidiu não se entregar a ele em um momento de paixão, e partiu para Nova York, onde começou sua carreira como modelo. Oito anos mais tarde, Dorie retoma para Jacobsville, mais madura e segura de si, e reencontra Corrigan. Agora, eles terão de reavaliar o passado para poderem planejar um futuro.
Dorie conheceu e se apaixonou por Corrigan, um dos arredios irmãos Hart, durante uma festa em Jacobsville. Quando ele reage mal ao descobrir que ela ainda era virgem, Dorie se sente forçada a fugir da cidade para nunca mais voltar. Oito anos depois, ela retorna após a morte do pai e é convencida por uma velha amiga a ficar.
Arrependido por ter julgado Dorie mal e se expressado de uma forma que podia ser considerada um surto psiquiátrico, Corrigan decide reconquistá-la, mimá-la, paparicá-la e cuidar da segurança dela. Talvez, se ele a tratasse como amigo e passasse mais tempo com ela, Dorie o perdoasse e quisesse de volta. Era um plano arriscado, mas que talvez desse certo...
Minha opinião:
Eu estava procurando um livro sobre o Natal e não achei. Bem, geralmente eu evito ler qualquer coisa relacionada a datas festivas, porque não gosto muito. Lembrei de três:
A Dark-Hunter Christmas,
Beat of Temptation e Coração Desafiado. Os dois primeiros já foram resenhados aqui, o que deixava uma releitura de Coração Desafiado... Que eu não consegui terminar antes do Natal.
Corrigan é o Hart mais legal, ou seja, o menos idiota; como é de praxe com mocinhos da Diana Palmer, ele tem uma opinião menos que lisonjeira sobre as mulheres após ter sido menosprezado e abandonado pela mãe traiçoeira e gananciosa. E lógico que ele assume que Dorie era só mais outra vigarista. E claro que ele passa os oito anos seguintes se arrependendo amargamente de tê-la julgado tão mal. Por isso é fácil gostar dele: o erro foi cometido há muitos, muitos anos, antes de o livro começar — e mais importante, ele não insiste em cometer o mesmo erro.
Já Dorie... Não a coloco na lista de mocinhas idiotas, mas ela também não tem uma inteligência acima da média. Ela é a clássica heroína de Diana Palmer — bondosa, trabalhadora, gentil, simpática... O tipo de mulher que muito homem acha que “é pra casar”, só que sem a burrice característica. Até ela se deixar enganar pela cara de fome (literalmente) dos irmãos de Corrigan, mesmo quando eles são rudes. Aí eu tenho certeza de que ela se arrependeu de ser uma boa pessoa... Especialmente quando eles decidem fazer alguma coisa para impedi-la de partir:
(...) — Não. Não foi Corrigan. Foram eles! Eles e seus malditos biscoitos! Essa acusação é uma armação! — exclamou. — Eles me acusaram falsamente para conseguirem me levar de volta à cozinha do rancho!O homem não pôde conter o riso ao ouvir a frase. A mania de biscoitos dos irmãos Hart era conhecida por todo lado.
Ao contrário dos outros 97252475369651 livros da série, Coração Desafiado não tem nenhum grande mistério: ninguém importante foi assassinado nem um traficante perigoso está à solta. Então a equação (mocinho – idiotice) + (mocinha – idiotice) – mistério = livro paradão. Sério, o plano dos irmãos de Corrigan para manter Dorie na vida deles é o acontecimento mais excitante do livro; o plano e o planejamento do casamento: é capaz de uma pessoa dar um cochilo de meia hora e já acordar com a igreja alugada, o coral treinado, o vestido de noiva importado de algum ateliê de alta-costura e exclusivo, o bufê decidido, os votos escritos, o noivo arrumado, a despedida de solteiro planejada e o chá de bebê organizado. Esse é o grau de precisão do planejamento dos Hart — nesse caso, dizer “sim” ou “não” não importa. Quando os Hart colocam uma coisa na cabeça, eles não precisam de aquiescência.
Como introdução aos irmãos, o livro é bom: Callaghan, Leo e Ray já mostram do que são capazes e como são rudes. Simon não aparece, mas é mencionado — e o relacionamento dele com Tira/Christina/Tina é fonte de um pequeno erro de continuidade: ele era amigo do marido dela e a culpava pela morte do homem, mas o livro diz que Simon o odiava. Tudo bem, né?
No final, o livro vale para quem não gosta de deixar uma série incompleta. Não há nada de especial nele, além de três irmãos lunáticos, capazes de tudo para manter a cozinha da fazenda funcionando a todo vapor.
Avassalador (Heartbreaker) — Desejo nº 50
34º livro da série Homens do Texas [tirado daqui. A Suelen é uma boa alma que leu tudo da Diana Palmer e teve paciência para organizar a bagunça. Deus a abençoe]
Personagens: J. B. Hammock & Tellie Maddox
J. B. Hammock jogava de acordo com as próprias regras, sendo a primeira delas nunca se envolver com uma mulher. Mas a doce Tellie Maddox pairava ao seu redor como uma delicada borboleta. Isso foi o suficiente para que esse solteirão convicto tivesse que tomar medidas drásticas.
Mas, em uma guinada do destino, Tellie perde parte da memória. Apesar de durão, J. B. não podia ser tão insensível a ponto de ignorá-la, então resolveu bancar o amigo... Até que a amizade se transformou em algo muito mais profundo. E agora J.B. foi finalmente fisgado!
Mas Tellie recobrou suas lembranças...
A formatura de Tellie Maddox trouxe algumas mudanças em sua relação com o rico fazendeiro JB Hammock, que a levara para morar com a irmã mais velha e as sobrinhas após Tellie ser abusada no lar adotivo no qual fora posta depois da morte da mãe. Tendo sido apaixonada por JB há mais tempo que sempre, Tellie se sentia possessiva e nunca perdia a chance de jogar na cara da namorada que ele trouxesse para casa que ela era parte da vida de JB. E sendo JB um dos fazendeiros de Jacobsville, ele não ficava nada satisfeito e não perdia uma chance de espezinhá-la.
Por isso, quando JB decide proibi-la de ver o forasteiro Grange, um boina-verde que era inimigo de anos de JB, Tellie se rebela, para o espanto de seu grande amor, a aprovação da cidade e o deleite de Bella, a namorada miss-algum-lugar-com-cérebro-de-ostra. No entanto, quando um problema de saúde a força a buscar ajuda e JB a destrata, Tellie sofre um acidente e perde a memória, retornando à adolescência, quando ainda era importante para ele. Consumido pela culpa, JB se dispõe a cuidar de Tellie e reconstruir as lembranças dos dois. Até Tellie descobrir o que ele fez.
Minha opinião:
Diana Palmer é a mentora do gênero ame ou odeie. Não há meio-termo com ela, nada de contradição. Amar e odiar é impossível, a menos que você fala a linha “amo odiar” ou “odeio amar” Diana Palmer. :D
Bem, JB é um mais dos pobres coitados *ha* que habitam Jacobsville. Sim, o pobre menino assustado que quase foi rejeitado pelo pai machucado pelo abandono da mãe cientista aparece pela enésima vez. Bem, para tornar tudo pior — como Murphy disse, não há nada ruim o suficiente que não possa piorar — o papai Hammock achava que as mulheres não prestavam — assim como JB, mas ele ainda gostava da irmã mais velha, Marge — e colocou na cabeça que noiva emocionalmente desequilibrada não era boa o bastante para o herdeiro. Resultado: a moça cometeu suicídio e deixou JB de coração partido. *tadinho do menino*
Tellie Maddox, pobre órfã, também vítima de tentativa de abuso sexual e virgem — fazer o quê se isso é importante para Diana Palmer? — é a única que tem um lugarzinho no coração duro de JB — a quem elegeu como propriedade privada —, e verdade seja dita, nos corações de todos os habitantes da pequena cidadezinha do Texas porque...
Tellie era honesta, meiga e generosa e trabalhava com afinco. (p. 4)
Sério, impossível não gostar de uma pessoa assim, né? Principalmente um cara de quase meia-idade que sabe que pode fazer com ela o que quiser que ela ainda vai rastejar aos pés dele agradecendo. Ou não, já que JB se habituou a dar patadas e foras em Tellie desde que ela era adolescente. Ela que não entendeu, mesmo com a metade de Jacobsville traduzindo e apertando a tecla SAP. Aliás, ela só entende quando ele diz
— Saia daqui! Já cansei de ser perseguido! Não a quero, Tellie, quantas vezes precisarei repetir para que entenda? Não passa de uma pobre órfã que Marge e eu adotamos, só isso! Não quero você, e nunca vou querer! (...) Parece um moleque magricela. Quem iria namorar uma garota feia como você? Saia daqui, já disse! (p. 88 e 89)
Então, antes que Tellie decida cair fora, ela sofre um acidente, volta a ter 17 anos, vira amiguinha de JB, e ele a leva para casa para cuidar dela e reconhece que a amava. Emocionante... Só que não.
Bem, JB é mais um dos mocinhos de Diana Palmer — a gente já sabe o que esperar: um fazendeiro/cowboy rude, de coração de aço, que não quer saber de mulheres, que enfia os pés pelas mãos, mas acha que é seu dever espiritual cuidar da saúde da mulher a quem amava atormentar... O caso é quando a gente não encontra isso, aí nós leitoras entramos em crise existencial e procuramos em toda a Internet provas de que a editora lançou o livro com o nome da autora errado ou o tradutor tinha enchido a cara — e Tellie é só outra ameba sem neurônios que pega o carro numa noite chuvosa em plena estrada escorregadia no meio de uma crise nervosa sem pensar no acidente que poderia acontecer.
Os coadjuvantes são de duas categorias: 1) ex-coadjuvantes que viraram protagonistas — aí eles dariam conselhos para os protagonistas dos livros em que participaram e nos fizeram pensar onde a massa cinzenta deles foi parar quando eles viraram protagonistas; 2) futuros protagonistas que um dia terão história própria e nos farão pensar onde a massa cinzenta deles foi parar assim que eles virarem personagens principais. De uma forma ou de outra, todos bem-intencionados, metidos, abelhudos, mas de bom coração que só querem o bem do próximo e querem espalhar o amor no mundo. That’s Jacobsville, baby.

