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First Grave on the Right — Darynda Jones


First Grave on the Right (não publicado no Brasil)

1º livro da série Charley Davidson

Personagens: Charlotte Jean “Charley” Davidson & Reyes Alexander Farrow

Esse negócio de ceifadora deveria ter vindo com um manual.

Ou algum tipo de diagrama.

Um fluxograma teria sido legal.

Charley Davidson é uma detetive particular em meio-período e ceifeira em tempo integral. Isso quer dizer que ela vê gente morta. De verdade. E é trabalho dela convencê-las a “ir para a luz”. Mas quando estas mesmas pessoas mortas morreram em circunstâncias menos que ideais (como assassinato), às vezes elas querem que Charley leve os caras maus à justiça. Para complicar há os sonhos intensamente quentes que ela está tendo com uma entidade que a perseguira a vida toda... E acontece que depois tudo ele pode não estar morto. Na verdade, ele pode ser alguma outra coisa. Mas o que ele quer com Charley? E por que ela parece incapaz de resistir a ele? E o que ela tem a perder por ceder?

Charley Davidson está acostumada a usar o seu dom de falar com gente morta em nome da justiça. Quando era criança, o pai e o tio, ambos policiais da divisão de homicídios, faziam uso das habilidades dela para resolver crimes (e serem promovidos), por isso, nada mais natural que se tornar detetive e usar uma ajudinha do além para solucionar seus casos.

Quando três advogados aparecem mortos e um deles se mostra incapaz de aceitar a própria morte, Charley começa uma investigação que pode significar a salvação ou condenação de um homem. Ao mesmo tempo, ela é revisitada por um “espectro” do passado que pode ou não estar morto — e ela precisa achá-lo. O problema é que, se Charley é feita de luz, todos os que podem ver Reyes sabem que ele é feito de nada mais que a mais perigosa escuridão...

Minha opinião:

Eu queria muito agradecer à J. R. Ward por recomendar esse livro, mas como não faço ideia de como entrar em contato com ela, fica aqui. Quando ele foi lançado, ela fez um chat com a autora e recomendou em tudo que é lugar, aí fiquei curiosa... E anos depois... Quando o livro já tinha nada menos que sete companheiros, fui apresentada a novos fãs e tomei coragem.

Não me arrependi. Apesar de o livro ser em primeira pessoa — não gosto —, não posso dizer que haja algo que me desagradou. Charley é ótima: engraçada, irônica, meio doida... Mas é o tipo de pessoa que se torna uma amiga leal e feroz, capaz de tudo para defender e proteger as pessoas — não é à toa que ele se envolve em uma briga de bar com o esposo abusivo de uma cliente. Ela tem tiradas ótimas, e via de regra, é incapaz de julgar as pessoas antes de ter contato com elas.

É justamente a bondade dela que traz problemas: por exemplo, quando ela tinha dezesseis anos, viu um garoto sendo espancado e se dispôs a socorrê-lo. O que aconteceu? Reyes Farrow tinha mais alguém para proteger, e Charley nunca o esqueceu.

Por outro lado, Reyes também não esqueceu Charley. De novo, o livro é em primeira pessoa, mas narrado apenas por Charley. Então, como eu sei disso? Diremos que Reyes tem estado presente na vida dela desde sempre. A segurança dela é mais importante que a dele, e mesmo um tanto... Comatoso, é visível que há algo de especial entre eles, mas Reyes, sendo um macho alfa de carteirinha, não aceita que Charley se coloque em perigo.

Apesar de ser adulta, Charley ainda está descobrindo seus poderes. Ela é o portal para o céu, mas há muito mais nisso do que parece. Aparentemente Lúcifer quer usá-la para entrar no céu e destruir tudo. Charley não quer ser usada assim; Reyes também não. Reyes acha que a culpa; Charley discorda.

Para resolver os casos, Charley conta com a ajuda de Angel, um ex-aviãozinho de treze anos que vive lhe passando cantadas; Cookie e Amber, suas vizinhas e amigas; Garrett Swopes, um caçador de recompensas que não leva seu dom a sério e Bob, o tio que se recusa a se aposentar. Não é para dizer que a vida de Charley é perfeita; ela tem uma péssima relação com Denise, a madrasta, o pai passivo e a irmã perfeita, Gemma. Em parte pelo sarcasmo letal dela. Por baixo dele, ela esconde um coração de ouro: ela lida muito bem com gente morta, mas encarar as famílias é sempre difícil... E ela sempre chora junto. E, como eu sou um monstro, ri demais.

Diante disso, não é nenhuma surpresa que eu esteja tendo faniquitos para que Reyes apareça em seu glorioso corpitcho musculoso. Ele e Charley são perfeitos um para o outro — ainda bem que Charley concorda.

Archangel’s Enigma — Nalini Singh


Archangel’s Enigma (não publicado no Brasil)

11º livro da série Guild Hunter

Personagens: Andromeda & Naasir

Naasir é o mais feroz do poderoso grupo de vampiros e anjos conhecido como os Sete, sua lealdade prometida ao arcanjo Raphael. Quando rumores surgem de um plano para assassinar o antigo arcanjo da Pérsia, agora perdido no Sono dos Anciões, Naasir é despachado para encontrá-lo. Pois apenas ele possui as habilidades de caça necessárias — aquelas mais comuns em animais predadores do que em homens.

Escolhida para acompanhar Naasir, Andromeda, uma anja jovem e estudiosa com segredos perigosos, fica fascinada pela natureza dele — às vezes brincalhão e brilhante, sensual e brutal. Enquanto se apressam a achar o arcanjo Adormecido antes que seja tarde mais, Naasir a forçará a questionar tudo o que ela sabe... e a tentará a entrar na escuridão magnífica e feroz de seu mundo. Mas antes eles devem sobreviver a uma inimiga cruel o bastante para quebrar o maior tabu da raça angélica e jogar o mundo em um pesadelo horrível...

Após um período de calma que se seguiu à batalha de Nova York, Raphael descobre que os generais de Lijuan estavam procurando por Alexander, um arcanjo Ancião que decidiu Adormecer a quatrocentos anos. Para isso, ele pede a Naasir, seu melhor caçador, que se junte à Andromeda, uma estudiosa da corte de Charisemnon que tinha como objeto de estudo os Anciões Adormecidos.

Horrorizada com a ideia de ser indiretamente responsável pela morte de um Ancião Adormecido, Andromeda se candidata ao serviço de um arcanjo rival do avô, mas é o vampiro misterioso que viaja com ela pelo mundo. Ceder à tentação representada por Naasier é quase incontrolável, mas ao fim desta busca, ela não opção a não ser voltar para a casa do avô — e seu futuro é bastante sombrio.

Minha opinião:

UiqueNaasirmarademaisafff!!!

Archangel’s Enigma começa mais ou menos onde Archangel’s Shadows parou: na busca desesperada de Naasir por uma parceira. Bem, já se passaram sete meses, e nosso pobre vampirinho planeja dar umas mordidinhas de amor na parceira, seja ela quem for, por fazê-lo esperar tanto tempo. Uai, como assim ela some logo quando ele decide que estava pronto para ficar com alguém pelo resto da vida?

A mente de Naasir funciona assim: ele é capaz de fazer coisas bem complexas, mas em outras, age por puro instinto. De início, parece que é só impulsividade, mas depois, quando vemos flashes da infância dele, é que temos a chance de entender que Naasir é muito mais do que aparenta; ele não é menos complexo por ter reações impulsivas e, de certo modo, até infantis. Ele age de acordo com a natureza dele:

— Vim por um livro — ele disse, capaz de senti-los ao redor, curiosos e animados que ele tivesse vindo.
(...)
— Eu trouxe uma coisa para vocês. — De dentro do bolso, ele tirou um brinquedo que fazia música e o manteve na mãe enquanto descia para o nível de baixo pelas escapas cobertas de gelo.
Lá, no laboratório, ele colocou o presente na grande mesa [...]
— Eu tenho uma parceira — ele contou aos outros, pensando não nas coisas ruins que aconteceram ali, mas em como o lugar fora reclamado. — O livro é para ela. Ela é uma estudiosa.
(...)
— Obrigado — ele disse aos amigos. — Um dia, trarei minha parceira aqui. Ela tem asas, mas é corajosa e vai descer. [...]
Outra estalactite caiu em uma sinfonia titilante.
Sorrindo, ele se virou e saiu. Enquanto subia as escadas, ele ouviu a música começar a tocar atrás dele e soube que seu brinquedo era bem-vindo. [...]

O interessante é que nenhuma parte do Naasir se ressente muito de como ele se tornou o que é; ele sabe o que houve, e hoje reconhece que alguns anjos o tratavam de maneira diferente por não compreendê-los, mas Dmitri — a quem ele considera um pai —, Raphael e Keir o criaram muito bem (morro de rir só imaginando Três Solteirões e um Bebê versão Guild Hunter). Então, nada mais natural para Naasir do que aceitar qualquer mulher que possa vir a fazer parte de sua família — e isso inclui os Sete, Raphael, Keir, Jessamy, Ashwini, Mahiya, Elena, Janvier... Todos mesmo — de braços abertos. É muito fofo ver as interações dele com Dmitri e Jessamy quando ele ainda era criança, e de certa forma, até com Michaela.

Naasir tem absoluta certeza de que Andromeda é sua parceira, mas... ele não seria tão azarado de ter uma parceira que fez um voto de celibato, seria? Mas Andromeda fez, com medo do que poderia fazer; afinal, sob a tutela de seu avô, um dos arcanjos mais depravados do Cadre, sua mãe e pai se tornaram dois devassos, incapazes de respeitar qualquer coisa ou pessoa. Na cabeça dela, não há dúvida de que esse é o destino que a espera. E se viajar o mundo com Naasir fazendo um serviço para Raphael era o caminho, então ela o faria.

Ai gente, eu adorei a Andromeda! Ela é uma mistura perfeita de Mahiya com Elena. Apesar de ser uma estudiosa, ela também pode lutar — e o mais surpreendente é que tomou lições não com o avô ou alguém da corte dele, mas com Dahariel, o braço-direito de Astaad. Ela é perfeita para Naasir, e espero ansiosa uma cena com uma noite de garotas com Elena, Honor, Mahiya, Jessamy, Andromeda e Sara. E se Mele, a concubina de Astaad, quiser se juntar, melhor ainda.

O livro também é recheado de coadjuvantes de luxo: Dahariel, mal afamado e considerado sádico, sabe que não é flor que se cheire, mas redenção está aí para isso. Suyin, a sobrinha torturada (literalmente) de Lijuan também precisa de muito amor, assim como Caliane e Alexander, por quem eu sempre soube que ficaria apaixonada assim que ele desse as caras: para ser honesta, não havia outra pessoa para Caliane... E até Andromeda percebe isso. Aliás, não é só Alexandre e Caliane que aparecem; Favashi também parece fazer parte da colisão Fora Lijuan Já, e já era hora. Gostei dela desde que ela apareceu pela primeira vez em Angels’ Blood, e é bom saber que ela é um dos poucos arcanjos capazes de lutar contra Lijuan — mas ainda há um mistério: quem é o anjo com olhos de fogo? Aliás, esse ser é um anjo? Ou um vampiro? Um humano? Aff! E Ilium, o preferido de 99,9% das leitoras... Como eu posso esperar um ano? Isso não é justo! Eu quero saber o que acontece com o Ilium agora! *berra histericamente*

Apesar de estar aliviada com a informação de que há algo que possa acabar com a raça de Lijuan, eu ainda estou em dúvida: além do arcanjo da pestilência, quem mais vai se aliar a ela? Michaela, por exemplo, parece uma bomba prestes a explodir, mas não consigo vê-la se aliando a ninguém.

Bem, agora só me resta esperar até ano que vem. 2016, quase 2017. Eu já disso que não há nenhuma justiça nisso. Mas não custa nada repetir: isso não é justo.

Archangel’s Shadows — Nalini Singh


Archangel’s Shadows (não publicado no Brasil)

11º livro da série Guild Hunter

Personagens: Ashwini “Ash” Taj & Janvier

No começo de uma guerra brutal, o arcanjo Raphael e sua consorte caçadora, Elena, estão lidando com as marés traiçoeiras das políticas arcangélicas e o povo de uma cidade maltratada, mas não quebrada. A última coisa que a cidade deles precisa é de mais morte, sobretudo uma que carrega a misteriosa assinatura de um arcanjo inimigo e insano que não pode — não deve — estar caminhando nas ruas.

Esta caçada deve ser conduzida com zelo e sem alertar as pessoas. Deve ser feita por aqueles que podem se tornar sombras...

Ash é uma rastreadora dotada, uma mulher amaldiçoada com a habilidade de sentir os segredos de qualquer pessoa que tocar. Mas há um homem a quem ela conhece sem o menor instante de contato físico: Janvier, o vampiro Cajun perigosamente sexy que a fascina e enfurece há anos. Agora, enquanto eles rastreiam um matador cruel, seu jogo de gato-e-rato de flerte e provocação se tornou em um jogo profundo de coração. E desta vez, é o segredo de Ash, escuro e terrível, que ameaça destruir aos dois.

Três semanas se passaram desde a Batalha de Nova York, em que Raphael e Elena derrotaram Lijuan. Agora, o corpo mumificado de um cachorro é encontrado na rua, e o Guild é chamado para investigar o caso — a situação perfeita para Ashwini se manter trabalhando, mas sem a exigência física de uma caçada. Isto é, até o corpo de uma jovem ser encontrado no lixo, também mumificado. Tudo apontava para Lijuan, mas a população de Nova York ainda não estava pronta para lidar com a ameaça de uma nova guerra.

Entra em cena Janvier. Servindo de ligação entre a Torre e o Guild, Janvier era a única chance de os dons de Ashwini não sobrepujá-la durante a busca por informação. De uma forma ou de outra, aquele caso seria o momento decisivo na relação deles: ou Ashwini lhe dava uma chance ou ele renunciaria a imortalidade por ela...

Minha opinião:

De novo, eu sei que o blog ficou abandonado, mas eu tenho bons motivos: busca por trabalho (ê canseira!) e autoescola — na minha idade, primeira carteira... E não sou nenhuma velha caquética, mas tô chegando lá. rs Antes de mais nada, escrevi essa resenha em novembro — sim, o bebê demorou três meses para nascer —, mas como eu disse antes, minha vida ano passado foi uma loucura, e só agora eu achei que a resenha ficou lapidada o suficiente para ser publicada. Isso posto: Archangel’s Shadows é um dos livros que li como incentivo. A cada página que eu terminava da minha monografia, eu me permitia ler um... Às vezes, dois... Muito de vez em quando, três... Capítulos. Raramente quatro. E para alguém acostumada a ler os livros da Nalini como uma pessoa esfomeada num banquete, o arranjo foi uma agonia.

Janvier é tão sexy e apaixonante aqui como ele foi em Angels’ Pawn. A diferença é que agora ele tem um ponto de vista, o que torna mais fácil compreendê-lo. Amei o fato de que ele tenha tão boas lembranças de sua vida familiar quando ainda era humano, e que tudo, desde o primeiro emprego — infantil, devo dizer — até sua decisão de se tornar vampiro, foi motivada por um forte grau de lealdade, que ele possui até hoje: ainda é o “tio” que todos os descendentes das irmãs querem visitar. O interessante é que, durante a série, uma porrada de personagens zoa o chove-não-molha dele e Ash, me fazendo pensar que era um tipo de piada interna. A verdade é que a família dele inteira e todos os amigos sabem sobre ela e são loucos para conhecê-la... Não sei, isso me lembrou tanto dos Psy/Changeling que me peguei rindo sozinha.

Ash é igualmente leal. Ela tem um dom útil, porém debilitante, de prever o futuro, mas raramente os sonhos são bons. Adicionalmente, ela também pode saber os pensamentos de uma pessoa com um único toque, e há momentos, como quando Honor foi sequestrada e resgatada (Archangel’s Blade), que ela só quer sair correndo e se enfiar num buraco e fechá-lo atrás de si. Mas ela sempre fica. O dom dela implica em uma coisa muito mais sinistra relacionada à família dela — o motivo que fez o irmão dela interná-la em uma casa de repouso —, que é o maior impedimento para ela e Janvier ficarem juntos. Pessoalmente, a resolução desse problema veio como um grande “hein?” para mim, porque parecia uma solução tão óbvia que eu não pensei que fosse viável.

Eu estava preparada para detestar o irmão dela — pela dita internação. Mas desde o primeiro momento em que Arvi aparece, fica claro que a despeito de toda a tensão, havia muito amor entre eles. É muito mais fácil sentir pena, apesar de não ser bem isso, por ele, o médico brilhante que não conseguiu encontrar a cura para a situação das mulheres da família, do que por Jeffrey Devereaux após sua revelação em Archangel’s Legion.

A outra sombra do título é Naasir. A criatura-tigre como Elena gosta de chamá-lo é um rouba-cena de primeira. O passado e o presente dele são um mistério, e ele realmente se parece com um grande felino: em um momento, ele gosta de carinho e até ronrona; no outro, passa por cima de um inimigo com a mesma força de um rinoceronte.

— Eu sou uma pessoa, Dmitri? Você ficará triste se eu morrer?
Apesar de ter se tornado duro e cruel, a pergunta inocente o sacudira.
— Sim — ele dissera, tão honesto na resposta quanto Naasir fora na pergunta. — Você é uma pessoa. Você é Naasir. Perderei uma parte de mim se você morrer e é uma parte que nunca terei de volta.
Naasir o encarara por um longo tempo antes de se aproximar para abraçá-lo.
— Ok, Dmitri. Lamento. Eu não sabia antes que eu era uma pessoa.

A melhor parte é que o próximo livro da série é do Naasir, pois ele apertou o botãozinho “caça parceira” e a pobre anja que vai ser o par dele com certeza terá as mãos cheias. Prevejo uma história similar à do Jason, só que toda Naasir.

Então, apesar de ser menos focado no lado físico do romance — a conexão de Ash e Janvier é mais a nível de alma —, Shadows não desaponta. Espero que Janvier e Ash aparecem com frequência em Archangel’s Enigma (o livro do Naasir), pois a parceria deles foi uma coisa que deu gosto de ver e vale a pena ser repetida.

Archangel’s Legion — Nalini Singh



Archangel’s Legion (não publicado no Brasil)

10º livro da série Guild Hunter

Personagens: Elieonora Parker “Elena” Deveraux & Raphael

Anjos estão caindo do céu em Nova York, golpeados por uma força viciosa e desconhecida.

Vampiros estão impossivelmente morrendo de doença.

A caçadora associada Elena Deveraux e o arcanjo Raphael devem descobrir a fonte da onda de morte antes que ela envolva sua cidade e seu povo, deixando Nova York em ruínas e a Torre de Raphael sitiada por arcanjos inimigos.

Mas enquanto eles lutam desesperadamente para salvar a cidade, uma força ainda mais sombria se agita, seus olhos gelados fixos em Nova York... E em Raphael. Rios de carmesim e pesadelos dados corpo, o mundo nunca mais será o mesmo...

O dia começa normal em Nova York, mas de repente, uma nuvem negra cobre o céu e uma chuva torrencial cai — uma chuva de anjos e pássaros. Poderia tanto ser efeito da Cascata, um rearranjo de contingências que favoreceria mudanças, o aparecimento de novos poderes para os arcanjos e a destruição de boa parte do mundo como o conhecíamos. Ou poderia ser o prenúncio de uma guerra, no qual Raphael e Elena Deveraux seriam atacados por um inimigo desconhecido.

Com o exército de Raphael comprometido, logo acontece o impossível: vampiros, imunes a todos os tipos de doença, começam a aparecer mortos de um vírus semelhante à varíola. As águas do rio Hudson se tingem de vermelho e chove sangue. Em meio a tudo isso, Elena precisa tomar uma decisão a respeito de sua relação com o pai, e lutar para impedir que sua cidade e seu arcanjo sejam destruídos por um poder útil, porém perverso.

Minha opinião:

Esperei uma eternidade por esse livro! Desde Archangel’s Consort que eu não via Raphael e Elena juntos como personagens principais, por isso, a excitação. Ah, gente, bendito Kindle! Essa gracinha mudou minha vida!

Então, depois de Archangel’s Storm e tudo que aprendi a respeito da Cascata e das mudanças ocorridas no mundo dos imortais, eu estava fervilhando para finalmente ler uma ceninha de guerra, pois isso tem sido previsto desde o primeiro livro, quando o arcanjo gostosão descobriu que Lijuan estava criando zumbis, e de novo, Nalini Singh não me desapontou.

Aqui temos um novo baile

— Minha mãe — ele disse — nos convidou para um baile.

Elena retirou uma lâmina de uma das bainhas, macias como manteiga, nos antebraços, que Raphael lhe dera de presente.

— Me dê licença enquanto eu apunhalo meus olhos... E me estripo também. — A última vez que Elena comparecera a um baile imortal, acabara banhando no sangue dos renascidos enquanto Pequim queimava a seu redor. E ah, não vamos esquecer, de se arrebentar no chão depois de ser tirada do céu.

Soa promissor, não? *risos* E Raphael é categórico quando afirma que faltar não era uma opção... Cá entre nós, eu não sei se eu conseguiria viver com uma criatura tão arrogante e mandona como ele.

— Eternidade significaria nada sem você. Por nenhum poder nesta terra eu trocaria minha Elena.

Certo, mentira.

Ele finalmente recebe um novo poder, que pode muito bem ser útil contra Lijuan — pois Raphael é o único que pode dar um chega para lá nela —, mas que também pode ser letal, levando-o a se tornar o mesmo homem (ou pior) que ele era em Angels’ Blood. Junto com isso, uma marca que começa na têmpora e termina com Raphael ouvindo sussurros e sonhando com um poder que quer dominá-lo... Exatamente como aconteceu com o pai dele.

Elena e ele já passaram da fase de duvidar do que sentem um pelo outro, mas agora há um novo elemento no relacionamento deles que poderia potencialmente destruir tudo: ela sabe que o está ajudando a ser mais humano, mas também sabe que isso pode matá-lo, já que ele fica cada vez mais fraco. E ainda tem a questão com o pai dela e a decisão que ela precisa tomar: reconstruir uma relação ou mandá-lo pro inferno de vez, por isso, ela entra em crise, mas sabendo que jamais abandonaria Raphael.

Os “desconhecidos” dos Sete ganham mais tempo aqui: Aodhan e Naasir. O anjo tem uma cena maravilhosa com Illium — que me fez pensar que o próximo livro seria de um deles — e o vamp me faz pensar se ele é parente de algum Changeling. :D O pessoal do Guild aparece em peso — Sara & Deacon, Demarco, Honor, Ransom e Ashwini. Aliás, para a alegria desta que vos fala, o próximo Guild é dela com Janvier, e Nalini já avisou que algumas partes ocorrerão simultaneamente a Archangel’s Legion *sacudindo o punho no ar gritando YEAH!*.

Os vilões estão com tudo — e não vou dizer quem é... Suficiente falar que Raphael está sendo atacado por tudo que é lado, e mesmo as alianças não oficiais podem se mostrar arriscadas. Assim como amizades antigas — de boa, eu odiei aquela Tasha. Quero que Elena enfie uma lâmina nos olhos dela como fez com Michaela.

Todas as cenas do Raphael com os Sete sempre foram muito emocionantes, porque não é todo dia que a gente vê um grupo de machos alfa declarando sua lealdade e amizade. Mas em Archangel’s Storm há algo assim, e aqui também: na cena com Aodhan e Illium e antes da guerra começar — lembrei do discurso do Aragorn em O Retorno do Rei.

No fim, a espera valeu a pena. Minha única reclamação é que o livro acabou muito rápido, e mesmo assim porque eu li de uma sentada só.

Archangel’s Storm — Nalini Singh


Archangel’s Storm (não publicado no Brasil)

9º livro da série Guild Hunter

Personagens: Jason & Mahiya Geet

Com asas como a meia-noite e uma afinidade por sombras, Jason corteja a escuridão. Mas agora, com o consorte da Arcanja Neha assinado no palácio repleto de joias que era sua prisão e a raiva dela ameaçando devastação cataclísmica, Jason caminha para a luz, sabendo que deve descobrir quem é o assassino antes que seja tarde demais.

Conseguir a confiança de Neha tem com um preço — Jason deve ser unir a sua linhagem através da Prince Mahiya, uma mulher com segredos tão perigosos que ela não confia em ninguém. Menos um ainda um chefe de espionagem inimigo.

Com apenas a caça incansável a um matador violento e inteligente os unindo, Jason e Mahiya embarcam numa jornada que os leva a um pesadelo de séculos... E para a escura tempestade de uma paixão inesperada que ameaça encharcá-los de sangue.

Mahiya era fruto de um caso extraconjugal da irmã da arcanja Neha com o marido Eris. Com o pai indiferente aprisionado e a mãe morta, Mahiya foi criada para ser o bode expiatório e um meio de punir o marido traidor. Suas tentativas de sobreviver agora que era “maior de idade” são ameaçadas quando Eris é assassinado, deixando Neha completamente louca e jurando vingança.

Jason é enviado por Raphael para descobrir o assassino, depois de prometer selar um juramento de sangue a Mahiya. O que ele não esperava era que a princesa fosse o maior mistério e desafio que já havia encontrado. De repente, a tarefa não era apenas descobrir o assassino, mas encontrar uma maneira de salvar a vida de Mahiya e conseguir, juntos, a felicidade que sempre lhes foi negada.

Minha opinião:

Confesso que gostei muito mais de Archangel’s Storm que de Archangel’s Blade. Não que o livro do Dmitri seja ruim, mas prefiro os que fazem o estilo caladão, tipo o Jason, do que os cretinos sensuais. Falando nisso, Storm começa exatamente onde Blade termina: no casamento de Dmitri e Honor.

A atmosfera de suspense contribui para o clima meio sombrio e a narrativa, pontuada por inúmeros flashbacks a respeito dos pais de Jason — que, como Raphael disse em Archangel’s Kiss, tiveram uma linda história de amor até que tudo foi por água abaixo —, nos permite entender porque ele é assim, tão desapegado do mundo. Gostar dele não foi um sacrifício: Jason é excelente no que faz, tem honra, se nega a mentir, mesmo sabendo que poderia ganhar mais, e o amor que sente por Mahiya é magnífico. Não é o mesmo amor físico que vários outros casais sentem, mas se eu tivesse que definir, diria que foi mais um encontro de almas do que qualquer outra coisa:

— Exigi alguma coisa, hein? — Erguendo a mão livre, ela correu os dedos sobre sua mandíbula. — Tenho tanto amor dentro de mim, Jason. Tanto. E nunca me permitiram dá-lo a ninguém — ninguém o quis. Deixe-me abrir as asas do meu coração com você.

Mahiya também é única. Tendo sido ignorada a vida toda — ninguém nunca lhe dá crédito, achando que ela é nada mais que uma princesa mimada —, ela sabe que a única razão que tinha para viver agora não existe — o pai que, apesar de não amá-la, era torturado pois sabia que, se não fosse a prova de uma infidelidade, estaria livre e aproveitando a vida. Por isso, quando ela tem a chance de barganhar com Jason e oferecer informações que possam levar a descoberta do assassinato e fornecer um meio de Raphael vencer uma possível batalha contra Lijuan, ela agarra a chance, apesar de saber que Jason não podia garantir que ela fosse ficar livre. Ela não tem nenhum orgulho, pois sabe que não vai ser isso que vai mantê-la viva. E como se não fosse suficiente, ela é superprotetora com Jason e Venom e maravilhosa, por isso, é uma das minhas mocinhas preferidas da série!

Eu tinha ficado desapontada com Neha em Archangel’s Consort — não achei que ela foi uma vilã muito má, mas aqui, as coisas mudam. E não ter fatos, apenas flashes muito rápidos, deixa tudo muito mais aterrorizante. Não sei se Nalini estava salvando a maldade para agora, mas ela fez um excelente trabalho. E é incrível como a construção desse mundo é complexa: o despertar de Caliane foi responsável por uma cadeia de eventos destrutivos, mas agora a coisa muda de figura e os personagens começam a levantar hipóteses diferentes que explicam que as catástrofes e o acordar de Caliane são fruto de outro evento, que com certeza será parte integral de Archangel’s Legion.

Por outro lado, a história dos pais de Jason é apaixonante, mas tem um final tão triste que eu chorei como um bebê quando ele conta a Mahiya o que o fez ser assim. Foi muito injusto, mas não sei se, caso Jason fosse diferente, eu teria me apaixonado tanto por ele.

Espero sinceramente poder ver esses dois construindo uma vida juntos nos próximos livros. Como Mahiya diria, seria a vingança perfeita contra Neha.

Angels’ Flight: Angel’s Dance — Nalini Singh


Angels’ Flight: Angel’s Dance (não publicado no Brasil)

8º livro da série Guild Hunter

Personagens: Galen & Jessamy

Uma anja presa na fortaleza montanhosa do Refúgio se encontra sitiada por um anjo guerreiro de uma corte marcial.

Galen saiu da corte do arcanjo Titus para tentar se tornar o general do mais novo membro do Cadre: Raphael. Assim que chega, ele conhece e fica atraído por Jessamy, a historiadora dos anjos, que por pouco não foi assassinada por saber do segredo de outro arcanjo. Proteger Jessamy se torna sua prioridade número um, apesar de ela jurar querer distância.

Jessamy não estava acostumada a receber nada mais que pena. Com uma asa distorcida desde que nasceu, ela nunca soube o que era voar; e seu próprio orgulho a impedia de aceitar o que ela via como caridade. Por isso, chegou aos quase três mil anos sem nunca ter tido um amante. Para a sorte dela, Galen era incansável... Mas o assassino que a esperava ficar sozinha também era.

Minha opinião:

Quando eu li Archangel’s Kiss, fiquei me perguntando quanto tempo Jessamy e Galen ficariam naquele aparente chove-não-molha. Aí Nalini Singh anunciou que escreveria um conto para os dois e... Surpresa! A história se passa 400 anos antes dos eventos da série, assim quando Raphael se tornou arcanjo. Eita!

Jessamy é mara! Ela me lembrou muito da Sascha dos Psy/Changeling, mas sem ser insuportavelmente boa. Não que eu não goste da Sascha, mesmo porque ela é uma empata, o que significa que ela é quase perfeita. Jessamy já é mais real, autocrítica, com autoestima lá embaixo — afinal, o que faz um anjo são as asas, e as dela são aleijadas —, mas em vez de ficar num canto se lamentando, ela vai à luta e procura se encaixar e ajudar os bebês anjos a se tornarem adultos aptos a voar e viver no mundo violento dos arcanjos.

Galen é um homem de poucas palavras e muita ação. Assim que viu Jessamy, ele gostou dela e começou a cortejá-la. E é bonitinho, porque ele sabe que não pode conquistá-la com palavras — mesmo porque ele é um guerreiro e não um poeta —, mas se dedica a ela de corpo e alma. E não demora muito para que todos no Refúgio comentem sobre os dois e que logo haja concorrência na forma de um vamp muito sexy. E mesmo assim, Galen ganha, apesar de ele ser tão quieto que chega até a ser rude.

Gostei de ver como os Sete foram criados — apesar de Venom e Naasir não serem dessa época — e de como a política dos arcanjos funciona. Não consigo deixar de pensar que logo veremos mais de Alexander, nem que Angels’ Dance serve também para um futuro próximo, para explicar o retorno de Caliane e os eventos de Archangel’s Storm. Além disso, vemos também como Michaela se tornou arcanja — e é no mínimo estranho. Não é ruim, mas é como se o mundo entrasse em sintonia com ela.

O conto é bem curtinho, nem dá para ver o tempo passar. Mas eu confesso que Keir, Raphael, Dmitri, Jason (ele é o próximo!), Aodhan e Illium me fizeram babar. Só gostaria de ter lido mais sobre os relacionamentos de Jessamy e Galen com os pais, mas tenho a impressão de que isso será endereçado depois.

Archangel’s Blade — Nalini Singh


Archangel’s Blade (não publicado no Brasil)

7º livro da série Guild Hunter

Personagens: Dmitri & Honor St. Nicholas

A cabeça decapitada marcada por uma distinta tatuagem na bochecha deveria ter sido um caso para o Guild, mas os sombrios instintos aperfeiçoados ao longo de mais de centenas de anos obrigam o vampiro Dmitri a assumir o controle. Há algo sinistro nessa morte, algo que sussurra de séculos passados... Mas a necessidade de Dmitri de descobrir a verdade é nada frente à perversa força de sua resposta a caçadora responsável por decifrar a tatuagem.

Assolada em um ataque brutal que quase a matou, Honor não está nada perto de pronta para vir face a face com o vampiro sedutor que é a mão direita de um arcanjo, e que assume a crueldade tão audaciosamente quanto sua letal sensualidade... O mesmo vampiro que tem sido sua obsessão secreta desde o dia em que ela estava velha o bastante para entender as emoções inexplicáveis e violentas que ele causava nela.

Enquanto desejo se torna uma compulsão perigosa que pode destruir aos dois, fica claro que o passado não permanecerá enterrado. Alguma coisa está caçando... E não vai parar até trazer um pesadelo sangrento a vida novamente...

Amizade e destruição ligavam vampiro Dmitri ao arcanjo Raphael. Quando o passado que Dmitri preferia esquecer aparentemente bate a sua porta na forma de uma cabeça decapitada com uma mensagem em um idioma que ele conhecia, mas não lembrava, um especialista em linguagens antigas do Guild é chamado para ajudar.

Honor foi sequestrada, torturada e violentada durante o desaparecimento de Elena e Raphael (em Angels’ Blood). Um ano depois e as cicatrizes físicas e emocionais ainda são fortes. Trabalhar com Dmitri — não apenas um homem que a fascinava, mas que era um vampiro há muito sem nenhuma humanidade —, era algo que ela preferia evitar. Mesmo assim, sonhos estranhos e a promessa de encontrar seus captores era tentação demais para ela resistir.

Minha opinião:

Gente, esse Dmitri é uma loucura! Não que ele se compare ao Raphael, já que o arcanjo é imbatível, mas o menino é muito, muito bom! Honor não fica atrás; mesmo com todos os traumas — e são muitos (e ela pode tê-los) —, ela não aceita ser feita de bichinho de estimação de ninguém. Tudo bem que ela passou um ano lambendo as feridas, mas agora era hora de caçar quem a torturou e fazê-los pagar.

Confesso que eu fiquei com medo de como o relacionamento dos dois se daria, pois Dmitri não é necessariamente “fofinho”. E dados os traumas de Honor, temi que ele a assustasse e ela surtasse. Mas Dmitri fez um ótimo trabalho de seduzi-la e impeli-la a confiar nele. Aliás, só de ele ir atrás de cada um dos torturadores dela e fazê-los se arrepender de terem nascido já teria me feito torcer por ele.

A tal Isis — a anja do mal que Fez o Dmitri contra a vontade dele — merecia ser presa e torturada pelos últimos mil anos. Mesmo que ela tenha conseguido prender ele e Raphael por um ano *deixa de pensar sacanagem, Lidy*, isso não me fez gostar dela. Ela torturou os dois e todo o amor que jurava sentir pelo Dmitri não passava de uma tentativa de se autoafirmar — aliás, qual o problema com essas anjas que, quanto mais bonitas, mais cadelas são? É a síndrome de Michaela?

Ingrede (a falecida esposa humana de Dmitri, antes de ele ser transformado em vampiro) também era mara. É óbvio que os dois foram feitos um para o outro: “Amarei você até quando eu for pó no vento”. Olha que gracinha! E nem vou começar a falar nos filhos deles, porque senão eu choro sem parar!

De mais a mais, eu adorei o livro. Dmitri continua sombrio, perigoso e sensual e em nenhum momento eu senti que o amor que ele sentia por Ingrede rivalizava com o que ele sentia por Honor. Eu só queria que o final não tivesse sido tão previsível, mas admito que foi uma ótima maneira de juntar o útil ao agradável. Agora, eu só quero ver o que Nalini Singh vai fazer com Ashwini e Janvier, pois já está na hora de esses dois receberem um livro.

Angels’ Flight: Angel’s Wolf — Nalini Singh



Angels’ Flight: Angel’s Wolf (não publicado no Brasil)

6º livro da série Guild Hunter

Personagens: Noel & Nimra

Um vampiro se fascina com a anja sedutora que governa a Louisiana. Mas nem tudo é o que parece em sua corte.

O vampiro Noel é enviado à corte de Nimra, na Louisiana, por duas razões: a primeira era para se recuperar do ataque de Archangel’s Kiss, a segunda para investigar as ameaças à vida de Nimra. Não que ele soubesse disso, pois Noel julgava que Raphael o via como fracasso e só o exilava. Afinal, uma anja como Nimra, que conseguia manter Nazarach longe, não era necessariamente uma dama em apuros, era?

Mesmo assim, Noel começa a buscar o traidor que só por acidente não assassinou Nimra. O que ele não esperava encontrar era uma corte cheia de pessoas leais, prontas para dar a vida por ela se necessário. Ainda assim, conforme o tempo passava e a atração entre ambos se mostrava irresistível, tanto um quanto outro sabia que era apenas uma questão de tempo até que Nimra novamente fosse um alvo.

Minha opinião:

Meu coração ficou partido por Noel. O pobrezinho foi espancado, torturado e as marcas ficaram na alma e não no corpo. Então, que ele tenha sido enviado para um lugar longe do Refúgio não foi exatamente uma surpresa, e é justamente essa aceitação que deixa claro o quanto a tortura o machucou: todos o chamam de Lobo, mas ele se sentia mesmo era um cachorrinho sem dono.

Então, conforme o livro passa e ele mostra que não era cadela de Nimra nem de Raphael nem de ninguém e vai assumindo responsabilidades e dominando situações, é óbvio que era aquele homem que ele costumava ser antes de tudo, e nem todo sofrimento do mundo tiraria dele aquela parte de sua personalidade. Sem contar que além de ser caladão, ele não aceita desaforo, não tem papas na língua e demonstra uma sensibilidade que a maioria dos mocinhos não tem.

Confesso que estava preocupada com Nimra. Quer dizer, ela deixa Nazarach com medo. Isso quer dizer alguma coisa, não é? Pois é, ela tem um poderzinho especial que achei bonito — quando ele veio à tona não foi tão bonito, mas eu entendi o significado e achei lindo. O que mais me agradou nela, além de ela ter aceitado Noel com toda a “bagagem”, foi o quanto ela se relacionava com os membros de sua corte: especialmente Violet e Fen, dois humanos. Isso porque a maioria dos anjos é rápida em descartar humanos, e ela conseguiu formar uma pequena família com os dela. Ela inspirava mais respeito que medo e esta foi uma grata surpresa, pois me lembrou muito da relação de Raphael com os Sete. No fundo, talvez eu tenha simpatizado tanto com ela por ela me lembrar da Adria, da série Psy/Changeling, que também levou um pé na bunda por se tornar mais poderosa que o parceiro.

Aliás, a corte de Nimra traz a oportunidade de conhecermos vários personagens interessantes: Violet, a adolescente que foi resgatada e é essencial para a descoberta do vilão; Christian, um anjo supersério que me lembrou do Valerius, da Sherrilyn Kenyon e Asirani, uma vampira apaixonada por Christian. Não sei como Nalini Singh vai encaixá-los nos próximos livros, mas espero que Nimra e Noel apareçam mais vezes.

Por fim, esse livro foi lançado primeiramente na antologia Angels of Darkness, e republicado com outros três contos na antologia Angels’ Flight. As resenhas de Angel’s Pawn e Angels’ Judgment estão aqui.

Archangel’s Consort — Nalini Singh


Archangel’s Consort (não publicado no Brasil)

5º livro da série Guild Hunter

Personagens: Elena P. Deveraux & Raphael

A caçadora de vampiros Elena Deveraux e seu amante, o letalmente bonito arcanjo Raphael, voltaram para Nova York apenas para dar de cara com uma nova maldade intransigente...

Um vampiro atacou uma escola de garotas — o ataque de uma loucura simples, cruel — e esse é apenas o primeiro ato. Desenfreada sede de sangue possui um vampiro atrás do outro, ameaçando fazer as ruas correrem com sangue. Então o próprio Raphael começa a mostrar sinais de uma raiva incontrolável, enquanto tempestades inexplicáveis escurecem a linha do horizonte da cidade e a própria terra treme.

Os presságios são terrivelmente claros.

Uma antiga e cruel imortal está ascendendo. Os ventos violentos sussurram seu nome: Caliane. Ela retornou para reclamar o filho, Raphael. Apenas uma coisa está em seu caminho: Elena, a consorte que deve ser destruída...

Chuvas e tempestades começaram ao redor do mundo e estão preocupando, não apenas pela força destrutiva, mas pelo efeito que têm em Raphael. O arcanjo de Nova York novamente se mostra capaz de agir sem pensar, não mostrar misericórdia, e se tornar sem mais nem menos o mesmo arcanjo que torturou um vampiro e o deixou no Central Park para servir de exemplo aqueles que pensassem em traí-lo.

Elena ainda é um alvo, mesmo com a proteção de Raphael e dos Sete. As tentativas de assassinato que sofreu no Refúgio desataram sobre ela uma nova torrente de inimigos, decididos a atacar onde mais dói. Não bastava que a reascensão de um arcanjo estivesse prestes a acontecer, mas o fato de ser a sogra, Caliane, que foi Dormir insana e poderia acordar pior, um vampiro rebelde mata duas meninas na escola elitista em que as meias-irmãs mais novas de Elena estudavam.

Elena e Raphael sabem que não fora coincidência, mas uma tentativa de enfraquecê-lo através de Elena. E quanto mais Caliane se aproxima do despertar, mais enlouquecido e destrutivo Raphael se torna...

Minha opinião:

Archangel’s Consort começa quase que exatamente onde Archangel’s Kiss terminou: Neha quer se vingar de Raphael e todos acham que Elena é a arma perfeita. Isso é um pouco irracional, mas enfim, a mulher pirou e quer sangue. Paralelamente, Raphael começa a desconfiar que Mamãe Querida aka Caliane está voltando, e o comportamento dele muda: ele se torna distante, frio e volta a ser aquele FDP assustador que forçou Elena a apertar uma faca em Angels’ Blood. Mesmo assim, ainda sou apaixonada por ele.

Elena não mudou de personalidade depois de ganhar asas. Ela continua sendo a mesma mulher traumatizada e humana de sempre, só que agora disposta a salvar Raphael — de si mesmo e dos efeitos que a provável necessidade de matar a mãe causariam nele, afinal, ele já se torturava por ter falhado uma vez, quando Caliane se mostrou louca e matou Nadiel, o pai de Raphael.

Enquanto os dois lidam com o passado, que de repente virou presente, o relacionamento deles não anda. Quer dizer, anda, mas Raphael se retrai muito. Além disso, Lijuan, depois de matar os zumbis que estava criando, meio que sai de cena para ceder lugar a Neha, que apesar de cruel, não me deixou arrepiada como a Arcanja da China — é, alguém com o poder de criar um cenário mundial estilo The Walking Dead ou Madrugada dos Mortos me assusta muito mais que alguém que controla cobras.

Voltando a falar de Caliane, ela sim desempenha com perfeição o papel de vilã — e olha que ela passou boa parte do livro dormindo. Considerando-se tudo, eu espero que um dia ela perceba o quanto está errada a respeito de Elena e consiga reatar o relacionamento com Raphael, pois é visível que, apesar de ter sumido depois de lutar com ela, ela o ama.

E ainda há Illium. Muito ouvi falar sobre a mãe dele, a Beija-Flor, e apesar de preferir ter lido sobre o encontro de Hannah e Elena, fiquei muito satisfeita em conhecer o anjo que salvou Raphael da morte. Espero que Sharine apareça mais vezes. Só é uma pena que ainda faltem muitos livros para que eu revisite Elena e Raphael como personagens principais — agora é a vez do Dmitri.

Archangel’s Kiss — Nalini Singh


Archangel’s Kiss (não publicado no Brasil)

4º livro da série Guild Hunter

Personagens: Elena P. Deveraux & Raphael

A caçadora de vampiros Elena Deveraux acorda de um coma de um ano para se encontrar mudada — uma anja com asas das cores da meia-noite e do amanhecer —, mas seu corpo frágil precisa se curar antes que ela possa voar. Seu amante, o espantosamente perigoso Arcanjo Raphael, está acostumado a estar no controle — mesmo quando é a respeito da mulher que considera como sua. Mas Elena nunca se deu bem com autoridade...

Eles acabaram de começar a entender um ao outro quando Raphael recebe um convite para um baile da arcanja Lijuan. Recusar seria sinal de uma fraqueza fatal, então Raphael precisa preparar Elena para o voo para Pequim — e o pesadelo que os espera lá. Anciã e sem consciência, Lijuan possui um poder que repousa com os mortos. E ela organizou a mais perfeita e perversa boas-vindas a Elena...

Ao acordar após um ano para se descobrir transformada em anjo, Elena Deveraux percebe que “até que a morte nos separe” tem um significado muito, muito longo e literal no relacionamento que tem com Raphael. Ao mesmo tempo em que os outros membros do Cadre começam a jogar pesado contra ele — sendo Elena a arma e vítima —, Lijuan decide mostrar ao mundo o quanto evoluiu. Isso preocupa Raphael, pois Lijuan parece ter um interesse no mínimo estranho em Elena. Portanto, o que preocupa Raphael coloca os Sete em alerta. E como os vampiros e anjos guardiões já não são fãs da Caçadora transformada em anjo, a necessidade de Elena em aprender a usar o novo corpo vai ser tornar um pouquinho difícil.

Como tudo é que ruim pode ficar pior, alguém começa a abrir ataques em massa contra vampiros e anjos no Refúgio, um lugar em que todos os Dez têm aliados e cujo propósito é ser neutro. Para piorar, esse atacante quer provar seu valor como arcanjo, o que pode significar que Uram morreu para uma criatura pior tomar seu lugar. No entanto, não era apenas os ataques aos anjos e aos vampiros a arma principal, e sim a morte de certa Caçadora protegida por um arcanjo...

Minha opinião:

Depois da excelente introdução proporcionada por Angels’ Blood, Nalini Singh continua a desenvolver a história de Elena e Raphael — o que é um prazer de ler, já que eles são dois dos mais personagens mais atraentes dos romances paranormais. Desde o primeiro livro ela nos coloca o quanto os Dez são perigosos — Raphael não sendo exceção — e traz a ideia de bem versus mal, evolução versus regressão.

Tanto Elena quanto Raphael continuam sendo os mesmo personagens fascinantes que eram em Angels’ Blood. A diferença é que agora o relacionamento deles está se expandindo, deixando de ser apenas uma animação passageira para adquirir nuances de confiança e respeito que não eram tão intensos antes. Sim, ela ainda está se curando dos traumas de infância e ele ainda é tão mau quanto antes, mas agora ambos são a Elena e o Raphael que se amam e estão aprendendo a se conhecer.

O mundo fictício continua violento e perigoso, principalmente para Elena. Ela não é apenas a Caçadora humana que se tornou amante de um arcanjo, mas o primeiro anjo que foi Criado em milênios. Sua cabeça ainda é o prêmio máximo, principalmente agora que Uram está morto.

Confesso que a implicância dos Sete com ela me irritou em alguns momentos; por vezes, Dmitri dava mais a impressão de ser uma criança birrenta que um vampiro de novecentos anos. Por outro lado, ainda há Illium — o anjo fascinado por mortais —, o único amigo de Elena no Refúgio. Outros personagens, como Aodhan, Galen e Jessamy são introduzidos. Mas o ponto alto vem mesmo nas brigas e no suspense.

Então, Archangel’s Kiss continua o bom trabalho que foi iniciado em Angels’ Blood. E, de uma boa maneira, eu me encontro dividida: por mais que eu queira me aprofundar na relação de Elena e Raphael, eu também quero desesperadamente saber as histórias de mais personagens, como Illium, Jason, Aodhan, Ransom, Sara, Ashwini e todos os outros coadjuvantes de luxo que me deixaram curiosa.

Angels’ Flight: Angels’ Judgment — Nalini Singh


Angels’ Judgment: Angels’ Judgment (não publicado no Brasil)

3º livro da série Guild Hunter

Personagens: Sara Haziz & Deacon “Slayer”

Em Angels' Judgment, uma caçadora deve procurar um traidor, e ao mesmo tempo sobreviver os testes mortais colocados em seu caminho pelos próprios arcanjos. Apoio inesperado vem de um estranho que pode ser a ameaça mais letal de todas...

O diretor do Guild estava prestes a se aposentar e a hora de escolher um substituto chegou. A candidata era a Caçadora Sara Haziz, mas não seria tão fácil ser aceita pelo Cadre como a futura diretora do Guild mais poderoso do mundo: os Arcanjos tinham testes pelas quais Sara teria que passar. O problema era que, envolvida até o pescoço numa investigação de ódio contra vampiros, ela não poderia decidir se seria diretora ou não.

Entra em cena Deacon, o Slayer — ou Assassino — a até então lenda urbana do Guild. Sua função era proteger Sara dos testes matadores dos Arcanjos e ajudá-la a descobrir quem era o atacante e matador de vampiros que apontava para um Caçador. Mas quando Deacon e Sara se apaixonam, ela conseguirá escolher aceitar a proposta e se tornar diretora do Guild, mesmo sabendo que, como Slayer, o trabalho deles os separaria?

Minha opinião:

Angels’ Judgment é um conto rápido sobre como Sara e Deacon se conheceram. Deve se passar dois ou três anos antes dos acontecimentos de Angels’ Blood, e talvez um ou dois antes de Angel’s Pawn. Não há a participação dos Sete, mas Raphael e Elena aparecem, mesmo sem dividir sem cenas. Na verdade, Raphael até manifesta interesse em encontrar a melhor nascida-caçadora do mundo:

— Essa Sara é sua melhor caçadora? — Astaad perguntou.
Simon meneou a cabeça.
— Mas a melhor nunca seria uma boa diretora. Ela é nascida caçadora.
Raphael fez uma nota para descobrir o nome dela. Ao contrário dos membros normais do Guild, os nascidos caçadores saíam do útero com a habilidade de sentir o cheiro de vampiros.
 
Sara é o tipo de heroína que não leva desaforo para casa. Ela é forte, autossuficiente e segura de si sem ser infantil ou aborrecente surtada. Deacon é alto, moreno, forte, gostoso e eu quero ele pra mim!

Elena é uma ótima amiga! Pena que a participação dela tenha sido tão curta — mas mesmo assim, foi ótima. Raphael ainda é o arcanjo gostoso, delicioso, tudodebomedomelhor dos outros livros, e continuei babando por ele.

Não há muito a dizer além de que o livro é ótimo e que eu adoro como os temas — Sara diretora, Sara investigando um caso e Sara sendo testada pelo Cadre — se misturam, até serem concluídos.

Bem, por ser um conto, é rapidinho, mas serviu para nos situar em como Sara se tornou diretora. Pode ser encontrado tanto nesta antologia de Nalini Singh quanto na antologia Must Love Hellhounds, que também tem histórias de Meljean Brooke, Ilona Andrews e Charlaine Harris. Ah, o “hellhound” do título é Lucy, a cadela de um Caçador que também é a mãe de Slayer, o cachorro de Sara e Deacon em Angels’ Blood.

Angels’ Flight: Angel’s Pawn — Nalini Singh


Angels’ Flight: Angel’s Pawn (não publicado no Brasil)

2º livro da série Guild Hunter

Personagens: Ashwini “Ash” & Janvier

Em Angels’ Pawn, uma caçadora de vampiros se depara com duas facções rivais e o anjo que as manipula, e um vampiro cuja ajuda não é totalmente altruísta...

O desaparecimento de uma vampira recém-transformada leva a caçadora Ashwini à casa do vampiro Janvier, com quem tinha uma relação complicada: Ash era a Caçadora chamada para executá-lo sempre que ele se comporta mal. Por ser amigo do sequestrador, Janvier aceita ajudar... Talvez por motivos escusos.

Exceto que nem tudo é o que parece e ambos poderiam acabar mortos, independente de levarem a vampira de volta ou não: Ashwini não era boa em jogos e o anjo que governava Atlanta parecia interessado demais... E os gritos que os dons psíquicos de Ashwini a faziam ouvir indicavam que não seria legal ficar perto de Nazarach, fazendo-a ir novamente em busca de Janvier.

Minha opinião:

Ao contrário dos outros livros da série, Angel’s Pawn não tem um casal que se conhece, se apaixona e fica junto. As coisas são diferentes com Ashwini e Janvier, e talvez seja isso que faça cada leitor da série louco por uma aparição ou menção dos dois. Pode-se dizer que a história deles não é convencional — e quando Nalini Singh decidir escrever o livro deles, continuará sendo um enredo único. É mais ou menos como Raphael e Elena, que atingem níveis cada vez mais íntimos, mas ainda tem muita história para contar.

Ash é descrita como uma Caçadora doida com habilidades únicas que chamam a atenção de todos, até de Raphael (ou seja, tudo que eu tenho que fazer para atrair a atenção do Arcanjo gostosão é ler mentes...). Até agora, tudo que a gente sabe dela combina com o que Honor fala sobre ela em Archangel’s Blade: que ela era muito compreensiva com os defeitos dos outros — talvez por, como os flashes em Pawn indicam, suas habilidades terem sido recebidas com menos que alegria pela família.

Janvier é um vampiro sexy, de bem com a vida e descarado. Pessoalmente, ainda não entendo porque Ashwini resiste a ele — certo, tem aquela história de ela ter que caçá-lo e possivelmente executá-lo. De qualquer forma, fiquei louca para saber mais sobre Janvier, ainda mais agora que coloquei na cabeça que Ashwini só continua a ser o cão de caça dele porque ele precisa desesperadamente manter contato com ela e chamar a atenção.

Angels’ Pawn se passa algum tempo antes de Angels’ Blood e algum tempo depois de Angels’ Judgment. Para um conto que foi inicialmente lançado como presente aos fãs, o final foi bem satisfatório. Tensão sexual que Nalini Singh escreve como ninguém e um enredo que eu espero que seja desenvolvido assim que Janvier e Ashwini exijam sua própria história.

Angels’ Blood — Nalini Singh


Angels’ Blood (não publicado no Brasil)

1º livro da série Guild Hunter

Personagens: Elena P. Deveraux & Raphael

A caçadora de vampiros Elena Deveraux sabe que é a melhor — mas o que ela não sabe é se é boa o bastante para este trabalho. Contratada pelo perigosamente bonito Arcanjo Raphael, um ser tão letal que nenhum mortal quer sua atenção, apenas uma coisa é clara — falhar não é uma opção... Mesmo se a tarefa for impossível.

Porque, desta vez, não é um vampiro desobediente que ela tem que encontrar. É um arcanjo que se tornou mau.

O trabalho colocará Elena no meio de uma matança como nenhuma outra... E a puxará para a borda da paixão. Mesmo que a caça não a destrua, sucumbir ao toque sedutor de Raphael talvez vá. Pois, quando arcanjos jogam, mortais quebram...

Elena Deveraux é a melhor caçadora de vampiros que existe, e é exatamente isso que faz o Arcanjo de Nova York, Raphael, contratá-la para descobrir a localização de um inimigo prestes a destruir a humanidade. Afinal, apenas um nascido caçador podia sentir o cheiro de um vampiro. O problema era que ele não queria que Elena caçasse um vampiro, mas um arcanjo, um dos componentes do Cadre — um conjunto de anjos mais poderosos e fortes, responsáveis por controlar o andar da carruagem do mundo.

Raphael sabia que era apenas uma questão de tempo até que o maior tabu de sua espécie fosse cumprido e seu antigo amigo se transformasse em uma bizarra mistura de anjo com vampiro. O consolo era que, a fim de completar o “ritual de passagem”, Uram caçaria outro arcanjo: sua ex-amante, Michaela, responsável por governar parte da Europa e atualmente refugiada em Nova York. Raphael também sabia que era importante manter Elena viva, pois ela era a única que poderia encontrar Uram antes que muitas vidas fossem perdidas.

Exceto que Raphael — nem os outros Cadre — não estava disposto a arcar com as consequências de confiar os segredos da raça a uma humana, mesmo que a uma que tinha os últimos dias contados. Para piorar, Elena o desafiava, fazia o arcanjo impiedoso fazer coisas que eram diferentes das que se esperava de um homem que espancara, torturara e expusera o corpo de um vampiro que pensara em traí-lo no Central Park. Sem contar que outro membro dos Dez — uma arcanja chamada Lijuan e governante da China —, além do próprio Raphael, poderia se tornar o próximo inimigo que teriam que enfrentar.

Minha opinião:

A primeira palavra que passa pela minha cabeça é “UAU”. Já ouvi e li várias explicações para as razões do vampirismo, mas as de Nalini Singh e Lynsay Sands são as duas mais criativas.

Elena é o tipo de heroína que o mundo dos romances precisa. Ela é forte, inteligente, autossuficiente e independente, mas também é vulnerável — por todos os traumas de infância e adolescência. Sem nenhum vínculo emocional além das amizades — Ashwini, Sarah, Ransom e a maioria dos Caçadores —, ela sabe que não há nada a perder nesse sentido se morrer na missão que Raphael lhe confere. Mas ela se preocupa e, por vezes, chega mais perto da morte por irritar Raphael.

Infame por sua aparente brutalidade, Raphael é o predador que deixa outros predadores com medo. Sensato, brusco, irreverente, cru, alfa na medida certa, é a personalização de todos os paradoxos que o tornam humano — na falta de palavra melhor. Ao mesmo tempo em que ele é um arcanjo cruel, também sente culpa e arrependimento por suas ações. Mesmo assim, ele vai em frente com uma missão, mesmo que ela o leve a cometer atos imperdoáveis. Dominador e dono de uma sexualidade potente, Raphael por vezes se vê perdido com Elena, que é diferente de todas as mulheres que conhece. Porém, ele também é muito resoluto em suas intenções de levá-la para a cama e mantê-la a seu lado.

Sendo tão opostos, é de se esperar que um repila o outro. Mas acontece o contrário: a cada momento de hesitação uma nova coisa acontece, empurrando um para os braços do outro, até que a Caçadora de coração partido e o Arcanjo sem coração decidam se dar uma chance e se curem.

Mas se engana quem pensa que esse é um simples romance. Apesar de haver um relacionamento afetivo-sexual entre os protagonistas, também há muita violência — afinal, enquanto os humanos do mundo criado por Nalini Singh estão ignorantes do real perigo, os leitores do mundo real precisam saber qual é o problema — isso quer dizer que Nalini Singh enfatiza o lado ruim da imortalidade, que outros autores colocam como um mar de rosas. Pelo contrário: ser imortal num mundo controlado pelos Dez é um inferno de submissão que precisa ser explorado em mais livros.